Neurodivergência: olhar para as pessoas e suas famílias
Artigo - Por Leatrice Bez
A pauta da neurodivergência faz parte da minha história. Meu irmão, Edson Bez Filho (in memoriam), era neurodivergente, e foi convivendo com os desafios da nossa família que decidi cursar Fisioterapia para compreender melhor suas necessidades e participar de seus cuidados. Essa experiência moldou a forma como passei a enxergar a inclusão e a importância das políticas públicas voltadas às pessoas neurodivergentes.
Quando se fala em neurodivergência, o debate costuma se concentrar no diagnóstico. Mas a realidade vai muito além dele. As famílias convivem diariamente com a busca por atendimento especializado, acompanhamento contínuo, inclusão escolar e oportunidades para que crianças, jovens e adultos possam desenvolver todo o seu potencial.
Também é preciso reconhecer o papel de quem cuida. Em grande parte dos casos, essa responsabilidade recai sobre mães, avós e outras mulheres da família, que reorganizam suas rotinas, interrompem projetos pessoais e profissionais e enfrentam uma jornada marcada por dedicação e, muitas vezes, pela falta de uma rede de apoio.
Promover inclusão significa garantir acesso à saúde, à educação e aos serviços especializados, mas também construir uma sociedade preparada para acolher as diferenças. Isso exige planejamento, investimentos e continuidade nas políticas públicas, para que o cuidado não dependa exclusivamente do esforço das famílias.
A experiência que vivi dentro da minha própria casa me ensinou que a inclusão não pode existir apenas no discurso. Ela precisa estar presente nas decisões, nos serviços públicos e nas oportunidades oferecidas às pessoas neurodivergentes. É um compromisso coletivo que exige sensibilidade, responsabilidade e ações permanentes.

