Após cinco meses sem notícias, animal volta para a família ao reconhecer os donos durante mutirão de castração em Forquilhas
SJ Agora/Divulgação O que era para ser apenas mais um dia de atendimentos no mutirão de castração realizado na quinta-feira (9), no Parque dos Sabiás, em Forquilhas, acabou se transformando em uma cena de forte emoção e surpresa. Em meio à movimentação de tutores e animais, um reencontro inesperado chamou a atenção de quem estava no local e rapidamente se tornou o momento mais marcante da ação.
Moradores do bairro Potecas, Nathália Peres e Lucas Silva aguardavam na fila com um gato quando perceberam um cachorro circulando pelo espaço. Sem muita expectativa, decidiram chamá-lo. O animal veio imediatamente, correndo na direção deles, como se reconhecesse o caminho. Em poucos segundos, veio a confirmação que parecia impossível: era Pipoca, o cachorro da família, desaparecido desde dezembro do ano passado.
O animal ficou cerca de cinco meses longe de casa. Durante esse período, os tutores realizaram buscas, tentaram encontrar pistas e passaram por um processo de frustração que, com o tempo, deu lugar à ausência de respostas e à perda gradual da esperança. “Foi muito rápido. O Lucas chamou e ele veio na hora. A gente ficou sem reação, tentando entender se era mesmo ele. Quando caiu a ficha, foi uma mistura de alegria, alívio e incredulidade, porque a gente já não acreditava mais que ia encontrar”, relatou Nathália.
Enquanto a família lidava com o desaparecimento, o cachorro também teve sua própria trajetória nesse intervalo. Após ser visto sozinho nas proximidades do parque, ele foi acolhido por servidores da Fundação Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Sem identificação que permitisse localizar os tutores, o animal passou a receber cuidados no local, com alimentação, abrigo e atenção diária. Nesse período, ganhou um novo nome: Pitoco.
Entre os servidores que acompanharam de perto a rotina do cachorro está Vanessa Regina Caitano, que destacou o vínculo criado ao longo dos meses e a emoção com o desfecho da história. Segundo ela, o apego foi inevitável, mas ver o animal retornando para a família trouxe um sentimento ainda maior. “A gente se envolve, cuida, cria carinho. Claro que dá um aperto, mas saber que ele tem uma família e que voltou pra casa é o que realmente importa”, afirmou.
A história ganha ainda mais peso pelo passado do próprio animal. Antes de chegar à família, Pipoca já havia sido abandonado no Rio Grande do Sul e foi resgatado pelo irmão de Nathália, que o trouxe para São José. O desaparecimento reacendeu uma dor já vivida anteriormente, tornando o reencontro ainda mais significativo. Para a tutora, o momento representa mais do que uma simples recuperação, mas um verdadeiro recomeço. “Ele já tinha sofrido antes. Quando sumiu, foi muito difícil pra gente. Agora, encontrar ele de novo é como ter uma segunda chance”, disse.
De volta ao convívio com a família, o cachorro leva consigo as marcas dessa história, inclusive no nome. Agora chamado de Pitoca, uma mistura de Pipoca com Pitoco, ele simboliza o caminho percorrido entre o afastamento e o reencontro, unindo os dois momentos em uma única identidade.
A emoção, no entanto, ainda não terminou. Em casa, a família prepara outro momento especial: o reencontro com a pequena Cecília, que estava na escola no momento em que o cachorro foi encontrado e ainda não sabe que o amigo voltou. A expectativa é de mais uma cena marcante, capaz de encerrar de vez um capítulo que começou com incerteza e terminou com alívio.
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