Mostra no Fórum Trabalhista traz registros de operações em Santa Catarina e propõe reflexão sobre violações que seguem acontecendo no mundo do trabalho
SJ Agora O Brasil já resgatou mais de 65 mil pessoas de condições análogas à escravidão nas últimas décadas, uma realidade que muitos ainda acreditam ter ficado no passado, mas que segue presente, inclusive em Santa Catarina.
É esse cenário que a exposição “Caminhos Interrompidos – Retratos da Escravidão Atual” escancara ao público no Fórum Trabalhista de São José, localizado na Av. Acioni Souza Filho, Praia Comprida, onde a mostra segue aberta para visitação até o dia 27 de abril.
Mais do que uma exposição fotográfica, o projeto propõe uma experiência imersiva. Em vez de imagens tradicionais, o público se depara com vestígios deixados por situações reais de exploração, muitos deles registrados durante operações de fiscalização realizadas no estado entre 2004 e 2025. A proposta é provocar reflexão e dar visibilidade a práticas que, muitas vezes, permanecem invisíveis aos olhos da sociedade.
A iniciativa integra o Programa de Enfrentamento ao Trabalho Escravo, ao Tráfico de Pessoas e Proteção ao Trabalho do Migrante (PETE+) e aborda três frentes principais: o trabalho escravo contemporâneo, o tráfico de pessoas e a vulnerabilidade de trabalhadores migrantes.
A curadoria e montagem são assinadas pelo Coletivo Ação Zumbi, sob coordenação da produtora cultural Lelette Coutto. A concepção do projeto é da juíza do trabalho Danielle Bertachini, que destaca o papel da exposição na conscientização da sociedade.
Segundo dados do Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas, entre 1995 e 2024, mais de 65 mil pessoas foram resgatadas no Brasil. Em Santa Catarina, foram 1.131 casos registrados no mesmo período.