Paralisação afeta diretamente escolas, creches e postos de saúde, que operam com atendimento reduzido à população
Divulgação Os servidores municipais de São José entram no segundo dia de greve nesta quarta-feira (6), sem qualquer avanço nas negociações com a prefeitura. A paralisação, iniciada na terça-feira (5) durante assembleia que reuniu mais de mil trabalhadores no Bolsão da Beira-Mar, segue mobilizando profissionais da saúde, educação, assistência social e administração geral.
A categoria denuncia condições precárias de trabalho e atendimento à população, com relatos de sobrecarga, falta de profissionais e ausência de estrutura básica. Entre os problemas apontados estão a falta de materiais de higiene em salas de vacina e unidades escolares sem manutenção adequada. Na saúde, a adesão é considerada um dos pontos mais fortes da greve: todas as unidades básicas (UBSs) e policlínicas tiveram representantes na mobilização, e pelo menos 11 salas de vacina estão fechadas.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de São José (SINTRAM/SJ), a única proposta apresentada pelo Executivo até agora foi a reposição da inflação de forma parcelada, com pagamentos em maio e outubro, medida considerada insuficiente pela categoria. Os servidores também criticam a falta de compromisso com a realização de concursos públicos, uma das principais reivindicações do movimento, especialmente diante do déficit de profissionais, estimado em cerca de 400 vagas apenas na saúde e assistência social.
As duas reuniões realizadas entre representantes dos trabalhadores e da administração municipal, nos dias 13 de abril e 5 de maio, terminaram sem avanços concretos. De acordo com o comando de greve, não houve resposta efetiva às pautas apresentadas, nem abertura para negociação real.
Durante a tarde de terça-feira, os servidores se concentraram em frente à prefeitura para pressionar por diálogo. Um documento foi entregue ao Executivo reforçando a manutenção da greve e a disposição da categoria para negociar, desde que haja propostas concretas. Entre as principais demandas estão a revisão salarial de técnicos e auxiliares de enfermagem, o enquadramento de auxiliares de ensino de educação especial no magistério, a isonomia na carreira e a convocação de concursados.
Em manifestação nas redes sociais, o prefeito Orvino Coelho de Ávila afirmou que o movimento tem caráter político por ocorrer em ano eleitoral. “Já realizei o reajuste na folha de maio, mesmo assim o sindicato de São José resolveu entrar em greve. Esse aumento foi para todos os servidores. Em ano de eleição, é mais uma ação política do sindicato. Quem paga a conta é a população e os bons servidores. Esses estão prejudicados porque um grupo político decidiu que não quer trabalhar. Nós vamos continuar trabalhando para que nossas crianças sejam atendidas nas escolas e a população seja atendida na saúde. A gente está disposto a conversar, como sempre estivemos, para que essa paralisação acabe o quanto antes", afirmou.
A mobilização continua nesta quarta-feira com visitas aos locais de trabalho pela manhã e, à tarde, uma caminhada com concentração em frente à sede da prefeitura, a partir das 13h30.
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