Laudos apontaram indícios de fraude e produtos impróprios para consumo
Divulgação/SJ Agora Saíram nesta quarta-feira (10) os resultados da Operação Gota Limpa, realizada pelo Procon de São José em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A ação fiscalizou restaurantes, pizzarias e lanchonetes do município para verificar a qualidade dos azeites de oliva oferecidos aos consumidores.
Ao todo, 24 estabelecimentos foram fiscalizados e 26 amostras de azeite passaram por análises laboratoriais de identidade e qualidade. Os resultados revelaram um cenário preocupante: quase todas as amostras apresentaram algum tipo de irregularidade ou problema de qualidade.
Indícios de fraude
De acordo com os laudos emitidos pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária do Rio Grande do Sul, quatro amostras sequer poderiam ser consideradas azeite de oliva.
Uma delas foi identificada como óleo composto. Outras três apresentaram indícios de fraude, com suspeita de não conterem azeite de oliva em sua composição. Entre as 20 amostras classificadas como azeite extravirgem, apenas uma foi considerada adequada para consumo dentro dos padrões exigidos.
Produtos impróprios para consumo
Outro dado que chamou a atenção foi a classificação de dez amostras como azeite lampante, categoria considerada imprópria para consumo humano devido aos defeitos sensoriais encontrados no produto.
Segundo os técnicos responsáveis pelas análises, praticamente todas as amostras apresentaram algum nível de degradação sensorial, indicando problemas que poderiam ser evitados com medidas adequadas de conservação.
Armazenamento inadequado
O relatório aponta que a maior parte das irregularidades está relacionada ao armazenamento e ao manuseio dos produtos. Entre os defeitos identificados estão ranço, mofo e fermentação. Os especialistas também destacaram que o reuso de galheteiros e refis sem a higienização adequada contribui para a deterioração do azeite.
A exposição prolongada à luz, ao calor e à oxidação também foi apontada como um dos fatores que comprometem a qualidade do produto servido aos consumidores.
Orientação aos estabelecimentos
Segundo o diretor executivo do Procon de São José, Maurício Barbosa da Silva, a operação teve como objetivo proteger os consumidores e conscientizar os comerciantes sobre a importância da correta conservação dos produtos.
O relatório elaborado pelo Mapa recomenda a realização de campanhas educativas voltadas aos proprietários de restaurantes e demais estabelecimentos do setor alimentício, abordando desde a origem legal dos azeites até as boas práticas de armazenamento e limpeza dos recipientes utilizados.
Nomes não foram divulgados
O Procon de São José não divulgou os nomes dos estabelecimentos fiscalizados nem quais apresentaram irregularidades. De acordo com o órgão, os resultados ainda passarão por análise administrativa. Os responsáveis terão direito à ampla defesa e ao contraditório antes da eventual aplicação de penalidades.
Após a conclusão dos procedimentos, os estabelecimentos poderão ser autuados e multados conforme prevê a legislação de defesa do consumidor.
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