Investigada na Operação Inocência, ré recrutava jovens para eventos em ambientes noturnos e recebia vantagens financeiras
Divulgação/ilustração A pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), a Justiça condenou uma mulher investigada na Operação Inocência por aliciar adolescentes para fins de prostituição e exploração sexual em São José. As vítimas estavam, à época dos fatos, acolhidas em uma casa institucional.
A condenação é resultado de uma ação penal da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de São José. Os crimes ocorreram entre os anos de 2023 e 2024. Conforme a investigação, a ré induziu e atraiu duas adolescentes para ambientes noturnos frequentados por homens, com consumo de bebidas alcoólicas e forte apelo sexual, com o objetivo de promover eventos e aumentar o público de casas noturnas. Em troca, ela recebia vantagens econômicas e materiais.
Na sentença, a Justiça fixou à ré a pena de seis anos e quatro meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, além de dois anos e oito meses de detenção, em regime inicial aberto, e o pagamento de 29 dias-multa. Ela foi condenada pelos crimes de favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança, adolescente ou vulnerável, armazenamento de pornografia infantil e fornecimento de bebida alcoólica a menores de 18 anos.
Na sentença, proferida nesta semana, a Justiça permitiu que a ré recorra em liberdade. O promotor de Justiça Alexandre Carrinho Muniz, titular da 1ª Promotoria de Justiça de São José, informou que irá recorrer da decisão para pleitear a fixação de indenização por danos morais às vítimas.
A Operação Inocência foi deflagrada em 11 de junho de 2025 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), em apoio a uma investigação da Promotoria de Justiça de São José.
As apurações demonstraram que a mulher atuava como captadora, organizadora e influenciadora, recrutando jovens, inclusive adolescentes, para participar de eventos em casas noturnas. Segundo o MPSC, ela mantinha uma atividade lucrativa estável em parceria com diversos estabelecimentos, recebendo pagamentos por meio de transferências eletrônicas (Pix) e bônus por captação.
A investigação apontou ainda que a ré oferecia “amigas”, promovia “combos” de bebidas e produzia flyers com fotos de jovens garotas, demonstrando atuação ativa na promoção dos eventos e no aliciamento de menores. Também foi apurado que a mulher fornecia bebidas alcoólicas às adolescentes e armazenava vídeos de pornografia infantil.
A denúncia do MPSC foi recebida pela Justiça em maio de 2025, quando foram decretadas a prisão preventiva da investigada, medidas de busca e apreensão e a quebra de sigilo de dados. Posteriormente, a prisão preventiva foi substituída por medidas cautelares diversas.
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