Treinamento projetou 300 milímetros de chuva em seis horas, rios prestes a transbordar, deslizamento de grandes proporções e milhares de pessoas fora de casa
SJ Agora/Reprodução Uma semana inteira de chuva sem trégua. Noventa milímetros já acumulados e a previsão alarmante de mais 300 milímetros em apenas seis horas. Rios subindo rapidamente, maré cheia se aproximando, bairros inteiros alagados e encostas cedendo. Esse foi o cenário extremo, ainda que simulado, "enfrentado" por São José neste domingo (1º), durante o 2º Exercício Geral de Gestão de Desastres, promovido pela Secretaria da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina.
Das 8h às 17h, equipes municipais colocaram à prova protocolos, tempo de resposta e capacidade de articulação em uma situação limite. O simulado reuniu o Grupo de Resposta de Ação Coordenada (GRAC), com representantes de diversas secretarias, além da Guarda Municipal e do Corpo de Bombeiros Militar, em uma sala de situação onde cada decisão poderia significar salvar, ou perder vidas. O objetivo foi testar a engrenagem antes que a emergência real aconteça.
No primeiro cenário projetado, o Rio Forquilhas apresentava volume elevado nas regiões de Flor de Nápolis, Forquilhinhas e Picadas do Sul, com risco iminente de transbordamento devido à maré cheia. A estimativa era de 2.300 residências atingidas, 1.450 desalojados e até 630 desabrigados. No segundo quadro, ainda mais dramático, um deslizamento de cerca de 6 mil metros quadrados no bairro José Nitro, no fim da Avenida das Torres, atingiria 80 casas, deixaria 250 desabrigados, 85 desaparecidos e 17 mortos.
Diante da dimensão da crise simulada, foram ativados dois Centros de Logística de Distribuição, definidos abrigos temporários no ginásio de Picadas do Sul e no Colégio Marista, na Serraria, além da mobilização para monitoramento constante dos rios, emissão de alertas à população, evacuação de áreas de risco e apoio da Celesc e da Casan para possíveis interrupções de energia e água. O município também destacou que conta com 212 famílias atendidas pelo programa de locação social, reforçando a estrutura disponível para situações emergenciais.
Mais do que números e projeções, o exercício serviu como alerta: eventos climáticos extremos são cada vez mais frequentes em Santa Catarina. Ao antecipar cenários críticos, São José busca reduzir impactos, preservar vidas e fortalecer sua capacidade de resposta. O desastre foi fictício, mas a preparação é real e pode ser decisiva quando a próxima tempestade chegar.
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